Não há ministério sem um ministro! Essa é uma afirmação essencial quando se fala em ministérios. O líder sente o chamado para construir, programar e manter um ministério, contudo é freqüente que se envolva em vários outros, por sua natureza peculiar. O que quase nunca se observa é que o líder precisa de uma postura “filtrante”.
Muitas vezes o líder se envolve em vários ministérios como forma de absorver a necessidade ou a ausência de pessoas para aquela determinada função. Quando se trata de uma função aparentemente não tão “importante” fica relativamente fácil resolver a questão: deixa-se o lugar vago até que alguém se desperte para o chamado específico daquele ministério. Quando se interpela pela ausência de alguém neste caso, prontamente se diz: temos que esperar o tempo de Deus e ter a fé necessária de que Ele há de suprir essa necessidade, na medida em que se trabalha para que pessoas escolhidas possam ter os ouvidos e olhos espirituais abertos para o chamado divino. Absolutamente formidável! Contudo, quando o assunto é uma posição “mais importante”, o conceito tende a mudanças. A fé pela providência divina passa a ser não tão clara.
O que se faz quando um líder está envolvido no ministério A, B, C e D, mas o seu chamado, aquilo que faz o seu coração arder é o ministério A? Mas o líder também executa muito bem suas funções no ministério B, C e D ! Esse geralmente é o argumento que se usa para mantê-lo na posição, enquanto Deus não providencia outra pessoa. Passa-se a não crer mais que aquela vaga há de ser preenchida por alguém que o próprio Deus vai providenciar.
Mas se, por outro lado, a função envolver alguém de um ministério mais evidente, como o ministério de louvor? O instrumentista executa muito bem sua função, mas sente que o seu chamado é para outro ministério. Pensa-se: vá fazendo suas outras funções, enquanto não se acha outro. Com isso, abstém-se do conceito anteriormente descrito. Cria-se um peso com duas medidas. Trata-se do problema como algo que não tem solução, como um câncer ou outra doença incurável em que se administra um placebo, enquanto se espera a morte. O detalhe é que está situação tem cura e não deve ser tratada com um placebo. É preciso que se tenha um posicionamento firme sobre aquilo que Deus coloca ao cuidado do ministro.
O líder possui uma característica marcante: fazer bem ou, pelo menos, conseguir executar aquilo que se destina a ele. Seja varrer o chão, ficar com as crianças, cantar no culto (se for afinadinho), trazer uma mensagem, dar uma aula, enfim, tudo o que se apresenta a ele, o líder se sente responsável por fazer bem feito. A conseqüência disso é que as necessidades reais da igreja são encobertas e passa-se uma idéia de que está tudo bem porque sempre existe alguém tocando, ensinando, mas o que não se sabe é que nos bastidores existem poucas pessoas trabalhando para que tudo ocorra razoavelmente bem.
É preciso crer que Deus tem preparado pessoas para assumir a guerra em posições estratégicas. O que seria de um exército se uma pessoa exercesse o papel de soldado, general, médico e etc. O serviço poderia até ser executado, mas de maneira ideal? O que realmente acontece quando se acumula muitas funções ministeriais é que não se envolve no ministério com excelência, não se estabelece um referencial, deixa-se de ser um incentivo a outros, prefere-se executar muitas funções ao mesmo tempo e se é apenas razoável, e porque não dizer medíocre, em aceitar o fato de que Deus quer que o ofereçamos o nosso melhor. Assim, tem-se 15 minutos para ensaiar, 20 minutos para preparar a lição, 30 minutos na semana para preparação do pequeno grupo e quase nenhum tempo para o mais importante: dedicação espiritual, dobrar os joelhos, clamar por direção e interceder pelo seu ministério. Desta forma, seguindo esses moldes, nunca se tem um ministério e sim atividades a serem executadas, bem ou mal, mas sempre executadas aquém do que poderiam ser.
O líder por vezes também se esquece que por trás de seu ministério existe uma família que precisa ser administrada, existem afazeres profissionais que precisam ser administrados, toda uma atividade que deve ser executada também fora do contexto da igreja e, geralmente, por seu perfeccionismo natural e não por impulso divino, deixa de levar em consideração esses aspectos e tenta dedicar-se a fundo em todas, absolutamente todas as suas atividades. Por serem tantas, acaba exprimindo superficialidade, nunca atingindo a profundidade que impacta, que toca de forma fulminante, que gera mudança com intensa alegria.
Todos sofrem com essa situação porque o líder que não se dedica a um só ministério, ou pelo menos aos que tem condição de assumir saudavelmente, se submete às suas funções e tenta executa-las da melhor forma, mas quase sempre insuficientes para atender a todas as suas demandas como ministro, marido, pai, irmão e etc. A fé no placebo deve deixar de existir e dar lugar a fé genuína, a certeza de que quem mexe as pedras no xadrez é Deus e se não há um ministro para um ministério, que este simplesmente não exista por enquanto, porque “há tempo para tudo debaixo do sol!”.
sábado, 5 de novembro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
A Lagarta e a Borboleta
por Rodrigo Martins
Era uma daquelas tardes de sol ardente e o frondoso flamboyant convidava para o repouso debaixo de sua refrescante sombra. A lagarta conseguiu se rastejar por quase cinco horas, até que finalmente conseguiu chegar debaixo da revigorante sombra. Mas ficar ali no chão poderia ser muito perigoso, afinal outros animais também poderiam querer desfrutar da mesma sensação de frescor. Um longo caminho, lento e cansativo deveria ser iniciado em direção à copa do flamboyant. Ali, com certeza, a lagarta estaria segura.
Depois de aproximadamente duas horas de subida, a lagarta finalmente chegou no lugar que queria. Na medida em que aproveitava a sombra oferecida pela grande árvore, percebeu que no galho ao lado havia uma bela borboleta. A lagarta passou a observar sua beleza, suas grandes asas e pensou: “se tivesse uma par de asas, conseguiria me locomover com maior rapidez”. Resolveu então ir em direção à borboleta, para tentar conseguir as suas asas.
A lagarta com esforço e se arrastando lentamente, chegou até a borboleta e explicou o quanto a sua vida era difícil. Contou sobre os seus dias de tristeza debaixo do sol escaldante e de como aquilo trazia um sofrimento terrível para ela. Também contou a borboleta que por mais que tentasse, não conseguia mudar de vida, porque só o que conseguia fazer era se rastejar. Contou dos inúmeros perigos pelos quais já havia passado e revelou que já não tinha mais forças para seguir em frente. Finalmente, após todo esse discurso, a lagarta pede a borboleta que lhe empreste as suas asas.
A borboleta, ao ouvir aquele estranho pedido, leva um grande susto e diz que não era possível. As suas asas não serviriam na lagarta. Definitivamente elas não foram projetadas para isso e, certamente poderiam oferecer grande perigo. A lagarta ficou inconformada porque tinha certeza de que aquelas asas seriam a solução para os seus problemas.
A noite começou a cair e logo todos estavam dormindo. Todos, exceto a lagarta. Como era de costume, as borboletas tiravam as suas asas ao deitar. Aproveitando-se disso, a lagarta pegou as asas da borboleta e se preparou para o seu primeiro vôo, aquele que traria alívio ao sofrimento de sua vida. Olhou para baixo do alto da árvore e sentiu medo, mas o seu medo era muito menor do que a vontade de ser feliz. Esperando essa felicidade foi que a lagarta saltou.
Na medida em que caía tentava bater as asas, mas não tinha a habilidade e nem a coordenação motora para isso. Pensou no que a borboleta disse sobre as asas e antes que pudesse concluir que era bem melhor que não as tivesse, se espatifou no chão. Já não tinha forças para se levantar porque estava machucada e ferida em várias partes de seu corpo. Desistindo da própria vida e esperando ser devorada por algum predador, a lagarta ficou ali parada, imóvel, apenas esperando sua morte, o fim de seu sofrimento.
Com os olhos ainda embaçados pela violenta queda, conseguiu enxergar alguma coisa descendo pela árvore. Seria esse o seu libertador? Aquele que iria se encarregar de dar um fim ao seu sofrimento? Qual não foi a sua surpresa quando conseguiu reconhecer que era a borboleta. Quando esperava uma grande bronca, merecidas e infindáveis acusações, a borboleta pega as suas asas, põe a lagarta no colo e a leva de volta à copa do majestoso flamboyant.
Passaram-se muitos dias de cuidados intensos da borboleta com a lagarta. Os seus ferimentos foram limpos com as gotas do orvalho, suas feridas tratadas com o mel que as abelhas ofereceram. Todos os dias a borboleta voava por horas para trazer tudo o que a lagarta precisava para se reestabelecer. Mas ao contrário do que era de se esperar, a lagarta ainda permanecia imersa numa profunda tristeza.
Em uma bela manhã, a borboleta vê que a lagarta está completamente reestabelecida e pergunta se está tudo bem. A lagarta quase não responde. A borboleta então começa a contar uma história para a lagarta.
“Havia um homem que era muito pobre e queria ter roupas novas, pois as suas já estavam bem velhas e cheias de buraco. Mas, devido as suas condições econômicas, não podia comprar a quantidade de tecido necessária para fazer uma nova roupa. Foi aí que ele teve a ideia de comprar uma quantidade de pano, para ao menos remendar os buracos de sua roupa. Sentiu-se muito bem quando finalmente terminou de remendar as suas roupas, mas depois de certo tempo, percebeu que o remendo de tecido novo rasgou o tecido da roupa que era velho. As suas roupas ficaram em piores condições”.
A lagarta não estava entendendo muito bem a razão pela qual a borboleta estava lhe contando aquela história, e enquanto pensava nesse motivo, a borboleta iniciou outra: “ Havia um outro homem que gostava muito de vinhos. Ele tinha uma vasta coleção, mas havia um especial que era de uma excelente safra, bem recente, uma das melhores. Pegou então uma vasilha de couro já antiga e colocou o vinho novo em uma vasilha de couro antiga. Qual não foi a sua surpresa ao ver que no outro dia, o seu vinho mais valioso havia sido todo derramado, pois a vasilha de couro antiga não tinha suportado o vinho novo”.
A borboleta esperou mais alguns dias para que a lagarta pudesse absorver a essência das duas histórias, e no sétimo dia, a lagarta resolveu conversar sobre elas. Ela disse para a borboleta que havia tentado relacionar as duas histórias com o episódio da grande queda, mas que somente conseguia se enxergar como o pano rasgado e o vinho derramado.
Depois de um breve suspiro, a borboleta revela que a lagarta quis fazer a mesma coisa das histórias. Disse à lagarta que ao tentar colocar as suas asas, estava tentando costurar pano novo em roupas velhas e colocar vinho novo em vasilha de couro velha. Também disse que se ela quisesse mudar, era preciso antes compreender o motivo da mudança e somente depois, a mudança realmente aconteceria. Falou que para que essa mudança fosse realmente forte, a ponto de acontecer uma metamorfose, deveria vir de dentro para fora e não ao contrário.
A lagarta começou a pensar muito no que a borboleta havia dito. Pensou, pensou, pensou e pensou mais um pouco. Depois de tanto pensar, decidiu que poderia estar na forma de uma lagarta, mas que teria a mente de uma borboleta. Decidiu que viveria como uma borboleta, mesmo que não tivesse asas. Passou a fazer tudo o que uma borboleta fazia, assumindo uma nova vida, um novo jeito de ver as coisas e, principalmente, um novo jeito de agir com as coisas. A comunidade do flamboyant quase não podia acreditar que aquela borboleta era uma lagarta. Apesar de seu corpo de lagarta, todos a enxergavam como uma borboleta porque o seu interior refletia uma borboleta.
O dia passou e com a noite surgiu uma grande e bonita lua no céu. A lagarta tinha alcançado uma paz que excedia toda a compreensão. Todos se perguntavam como uma lagarta poderia esbanjar tamanha felicidade. De repente, quando todos estavam dormindo, a lagarta começa a sentir um sono profundo e um frio que aumentava cada vez mais. Resolveu então construir um abrigo em si mesma para ficar mais aquecida, uma espécie de casulo. Dormiu, dormiu, dormiu e dormiu mais um pouco. Quando acordou, não se lembrava que estava dentro do casulo e com uma boa espreguiçada saiu de lá.
Havia uma sensação diferente na lagarta. Ela parecia estar se sentido mais leve. Ela pensou que era porque tinha dormido demais. Como estava com muita sede, resolveu descer pela árvore para ir até o riacho beber um pouco de água. No caminho, todos a cumprimentavam e tudo estava absolutamente normal. Ao chegar no rio, olhou o seu reflexo na água e viu que não tinha mais a forma de uma lagarta, mas de uma linda borboleta. Foi aí que terminou de compreender que a mudança começa de dentro, na sua própria vontade em se fazer novo, para que depois e, somente depois, venham o tecido novo e o vinho novo. Nesse exato ponto é que a metamorfose acontece...
Era uma daquelas tardes de sol ardente e o frondoso flamboyant convidava para o repouso debaixo de sua refrescante sombra. A lagarta conseguiu se rastejar por quase cinco horas, até que finalmente conseguiu chegar debaixo da revigorante sombra. Mas ficar ali no chão poderia ser muito perigoso, afinal outros animais também poderiam querer desfrutar da mesma sensação de frescor. Um longo caminho, lento e cansativo deveria ser iniciado em direção à copa do flamboyant. Ali, com certeza, a lagarta estaria segura.
Depois de aproximadamente duas horas de subida, a lagarta finalmente chegou no lugar que queria. Na medida em que aproveitava a sombra oferecida pela grande árvore, percebeu que no galho ao lado havia uma bela borboleta. A lagarta passou a observar sua beleza, suas grandes asas e pensou: “se tivesse uma par de asas, conseguiria me locomover com maior rapidez”. Resolveu então ir em direção à borboleta, para tentar conseguir as suas asas.
A lagarta com esforço e se arrastando lentamente, chegou até a borboleta e explicou o quanto a sua vida era difícil. Contou sobre os seus dias de tristeza debaixo do sol escaldante e de como aquilo trazia um sofrimento terrível para ela. Também contou a borboleta que por mais que tentasse, não conseguia mudar de vida, porque só o que conseguia fazer era se rastejar. Contou dos inúmeros perigos pelos quais já havia passado e revelou que já não tinha mais forças para seguir em frente. Finalmente, após todo esse discurso, a lagarta pede a borboleta que lhe empreste as suas asas.
A borboleta, ao ouvir aquele estranho pedido, leva um grande susto e diz que não era possível. As suas asas não serviriam na lagarta. Definitivamente elas não foram projetadas para isso e, certamente poderiam oferecer grande perigo. A lagarta ficou inconformada porque tinha certeza de que aquelas asas seriam a solução para os seus problemas.
A noite começou a cair e logo todos estavam dormindo. Todos, exceto a lagarta. Como era de costume, as borboletas tiravam as suas asas ao deitar. Aproveitando-se disso, a lagarta pegou as asas da borboleta e se preparou para o seu primeiro vôo, aquele que traria alívio ao sofrimento de sua vida. Olhou para baixo do alto da árvore e sentiu medo, mas o seu medo era muito menor do que a vontade de ser feliz. Esperando essa felicidade foi que a lagarta saltou.
Na medida em que caía tentava bater as asas, mas não tinha a habilidade e nem a coordenação motora para isso. Pensou no que a borboleta disse sobre as asas e antes que pudesse concluir que era bem melhor que não as tivesse, se espatifou no chão. Já não tinha forças para se levantar porque estava machucada e ferida em várias partes de seu corpo. Desistindo da própria vida e esperando ser devorada por algum predador, a lagarta ficou ali parada, imóvel, apenas esperando sua morte, o fim de seu sofrimento.
Com os olhos ainda embaçados pela violenta queda, conseguiu enxergar alguma coisa descendo pela árvore. Seria esse o seu libertador? Aquele que iria se encarregar de dar um fim ao seu sofrimento? Qual não foi a sua surpresa quando conseguiu reconhecer que era a borboleta. Quando esperava uma grande bronca, merecidas e infindáveis acusações, a borboleta pega as suas asas, põe a lagarta no colo e a leva de volta à copa do majestoso flamboyant.
Passaram-se muitos dias de cuidados intensos da borboleta com a lagarta. Os seus ferimentos foram limpos com as gotas do orvalho, suas feridas tratadas com o mel que as abelhas ofereceram. Todos os dias a borboleta voava por horas para trazer tudo o que a lagarta precisava para se reestabelecer. Mas ao contrário do que era de se esperar, a lagarta ainda permanecia imersa numa profunda tristeza.
Em uma bela manhã, a borboleta vê que a lagarta está completamente reestabelecida e pergunta se está tudo bem. A lagarta quase não responde. A borboleta então começa a contar uma história para a lagarta.
“Havia um homem que era muito pobre e queria ter roupas novas, pois as suas já estavam bem velhas e cheias de buraco. Mas, devido as suas condições econômicas, não podia comprar a quantidade de tecido necessária para fazer uma nova roupa. Foi aí que ele teve a ideia de comprar uma quantidade de pano, para ao menos remendar os buracos de sua roupa. Sentiu-se muito bem quando finalmente terminou de remendar as suas roupas, mas depois de certo tempo, percebeu que o remendo de tecido novo rasgou o tecido da roupa que era velho. As suas roupas ficaram em piores condições”.
A lagarta não estava entendendo muito bem a razão pela qual a borboleta estava lhe contando aquela história, e enquanto pensava nesse motivo, a borboleta iniciou outra: “ Havia um outro homem que gostava muito de vinhos. Ele tinha uma vasta coleção, mas havia um especial que era de uma excelente safra, bem recente, uma das melhores. Pegou então uma vasilha de couro já antiga e colocou o vinho novo em uma vasilha de couro antiga. Qual não foi a sua surpresa ao ver que no outro dia, o seu vinho mais valioso havia sido todo derramado, pois a vasilha de couro antiga não tinha suportado o vinho novo”.
A borboleta esperou mais alguns dias para que a lagarta pudesse absorver a essência das duas histórias, e no sétimo dia, a lagarta resolveu conversar sobre elas. Ela disse para a borboleta que havia tentado relacionar as duas histórias com o episódio da grande queda, mas que somente conseguia se enxergar como o pano rasgado e o vinho derramado.
Depois de um breve suspiro, a borboleta revela que a lagarta quis fazer a mesma coisa das histórias. Disse à lagarta que ao tentar colocar as suas asas, estava tentando costurar pano novo em roupas velhas e colocar vinho novo em vasilha de couro velha. Também disse que se ela quisesse mudar, era preciso antes compreender o motivo da mudança e somente depois, a mudança realmente aconteceria. Falou que para que essa mudança fosse realmente forte, a ponto de acontecer uma metamorfose, deveria vir de dentro para fora e não ao contrário.
A lagarta começou a pensar muito no que a borboleta havia dito. Pensou, pensou, pensou e pensou mais um pouco. Depois de tanto pensar, decidiu que poderia estar na forma de uma lagarta, mas que teria a mente de uma borboleta. Decidiu que viveria como uma borboleta, mesmo que não tivesse asas. Passou a fazer tudo o que uma borboleta fazia, assumindo uma nova vida, um novo jeito de ver as coisas e, principalmente, um novo jeito de agir com as coisas. A comunidade do flamboyant quase não podia acreditar que aquela borboleta era uma lagarta. Apesar de seu corpo de lagarta, todos a enxergavam como uma borboleta porque o seu interior refletia uma borboleta.
O dia passou e com a noite surgiu uma grande e bonita lua no céu. A lagarta tinha alcançado uma paz que excedia toda a compreensão. Todos se perguntavam como uma lagarta poderia esbanjar tamanha felicidade. De repente, quando todos estavam dormindo, a lagarta começa a sentir um sono profundo e um frio que aumentava cada vez mais. Resolveu então construir um abrigo em si mesma para ficar mais aquecida, uma espécie de casulo. Dormiu, dormiu, dormiu e dormiu mais um pouco. Quando acordou, não se lembrava que estava dentro do casulo e com uma boa espreguiçada saiu de lá.
Havia uma sensação diferente na lagarta. Ela parecia estar se sentido mais leve. Ela pensou que era porque tinha dormido demais. Como estava com muita sede, resolveu descer pela árvore para ir até o riacho beber um pouco de água. No caminho, todos a cumprimentavam e tudo estava absolutamente normal. Ao chegar no rio, olhou o seu reflexo na água e viu que não tinha mais a forma de uma lagarta, mas de uma linda borboleta. Foi aí que terminou de compreender que a mudança começa de dentro, na sua própria vontade em se fazer novo, para que depois e, somente depois, venham o tecido novo e o vinho novo. Nesse exato ponto é que a metamorfose acontece...
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
A Matrix, Thundercats, Immanuel Kant, Tillich e Fé.
Quem não se entusiasmou com as cenas de ação produzidas por Neo, quando no interior da Matrix possuía poderes que manipulavam tudo o que estava a sua volta. O seu corpo executava movimentos que não eram próprios de seres vertebrados, uma vez que para executá-los, não poderiam haver ossos. Dentro da Matrix a humanidade vivia de forma comum, com tudo aquilo que era pré-determinado ao ser humano. Alguns para viver em família, outros para viverem sozinhos, alguns para uma vida saudável com restrições alimentares e outros somente para usufruir de uma dieta livre, sem peso na consciência. Alguns com hábitos diferentes como fumar, usar drogas, praticar esportes radicais e alguns pensando, pensando, pensando e pesando.
Pensar elevado a décima potencia significa filosofar. Alguns na Matrix pensavam assim e eram chamados de filósofos. Para essas pessoas alguma coisa aconteceria fora daquela vida, fora da Matrix. Alguém deveria estar controlando aquele “sistema” de vida. Para enxergar além da Matrix, seria necessário a utilização de óculos especiais. Uma vez que se utilizava esses óculos, obtinha-se o poder de uma visão além do alcance de Lion (thundercats). A realidade não era como se estava vendo, mas um universo diferente estaria em volta da Matrix. Contudo, para obter esses óculos, os óculos de Kant, seria necessário se desprender de qualquer resíduo de realidade e, por isso, a tarefa era difícil.
A comunidade da Matrix estava formada, impregnada com a razão e com a lógica do modo cognitivo. Poucas pessoas tinham a capacidade para enxergar além da Matrix. Mas com os óculos de Kant isso seria possível.
Do desejo incontrolável de conhecer de onde se vem e para onde se vai, algumas pessoas pensavam na décima potência. Essa era a chave para encontrar os óculos de Kant e perceber o que realmente estava a sua volta. Percebia-se que a Matrix era de responsabilidade de um “arquiteto”, que conduzia tudo ao seu controle. A sede de liberdade levaria ao confronto com o arquiteto e com as lentes de Kant, os filósofos pensariam uma vez mais. Quem estaria acima do arquiteto? A procura pela realidade da Matrix chegaria ao seu final quando o confronto entre o herói (filósofo) e o “provedor” aconteceria. Uma espécie de acordo foi realizado e a convivência passou a ser pacífica.
Os filósofos da Matrix passariam a pensar no pensamento elevado a centésima potencia. Quem estaria acima do provedor da Matrix? E quem estaria acima da Matrix? O pensamento dos filósofos teve uma estranha reação com a diversidade e complexidade infinita dos pensamentos. No limite das potências, já no terreno do infinito o pensamento sofreu um “bug”. As lentes de Kant já não poderiam ver além daquilo. A visão além do alcance havia encontrado o seu limite. Nesse dia, os filósofos encontraram a fé na existência de um ser superior acima de tudo, que não poderia ser explicado ou definido a não ser por Ele mesmo. O Incondicionado.
Pensar elevado a décima potencia significa filosofar. Alguns na Matrix pensavam assim e eram chamados de filósofos. Para essas pessoas alguma coisa aconteceria fora daquela vida, fora da Matrix. Alguém deveria estar controlando aquele “sistema” de vida. Para enxergar além da Matrix, seria necessário a utilização de óculos especiais. Uma vez que se utilizava esses óculos, obtinha-se o poder de uma visão além do alcance de Lion (thundercats). A realidade não era como se estava vendo, mas um universo diferente estaria em volta da Matrix. Contudo, para obter esses óculos, os óculos de Kant, seria necessário se desprender de qualquer resíduo de realidade e, por isso, a tarefa era difícil.
A comunidade da Matrix estava formada, impregnada com a razão e com a lógica do modo cognitivo. Poucas pessoas tinham a capacidade para enxergar além da Matrix. Mas com os óculos de Kant isso seria possível.
Do desejo incontrolável de conhecer de onde se vem e para onde se vai, algumas pessoas pensavam na décima potência. Essa era a chave para encontrar os óculos de Kant e perceber o que realmente estava a sua volta. Percebia-se que a Matrix era de responsabilidade de um “arquiteto”, que conduzia tudo ao seu controle. A sede de liberdade levaria ao confronto com o arquiteto e com as lentes de Kant, os filósofos pensariam uma vez mais. Quem estaria acima do arquiteto? A procura pela realidade da Matrix chegaria ao seu final quando o confronto entre o herói (filósofo) e o “provedor” aconteceria. Uma espécie de acordo foi realizado e a convivência passou a ser pacífica.
Os filósofos da Matrix passariam a pensar no pensamento elevado a centésima potencia. Quem estaria acima do provedor da Matrix? E quem estaria acima da Matrix? O pensamento dos filósofos teve uma estranha reação com a diversidade e complexidade infinita dos pensamentos. No limite das potências, já no terreno do infinito o pensamento sofreu um “bug”. As lentes de Kant já não poderiam ver além daquilo. A visão além do alcance havia encontrado o seu limite. Nesse dia, os filósofos encontraram a fé na existência de um ser superior acima de tudo, que não poderia ser explicado ou definido a não ser por Ele mesmo. O Incondicionado.
domingo, 7 de agosto de 2011
Símbolos e Sinais
O que um sinal diz e o que um símbolo provoca? Paul Tillich aborda em "Teologia da Cultura" a diferença entre um sinal e um símbolo. Tome um sinal comum, por exemplo, uma placa de proibido fumar. Esse aviso pode gerar em quem o vê diferentes pensamentos. Alguns podem relacionar a este sinal a ideia de uma patologia derivada do uso do cigarro, ou de eventuais restrições legais por não ser permitido fumar em determinados locais. Um sinal então é um alerta que não produz necessariamente um tipo de comportamento e que mantem uma relação isolada com quem o vê. O sinal está lá para alertar, mas se um padrão de comportamento será obtido, pouco importa. Ele é inerte ao padrão comportamental.
Já um símbolo é algo diferente. Ele pode representar pessoas ou conceitos. Um símbolo não é a pessoa ou o conceito em si, mas os representa. Ao contrário de um sinal, um símbolo assume uma interdependência com as pessoas. Veja por exemplo o símbolo da paz, conhecido como uma pomba. A pomba propriamente dita não é a paz, mas representa a paz. Nesse sentido, a paz se relaciona com o homem na medida em que o atinge de maneira holística, ou integral. Em última análise, um símbolo deveria produzir ações práticas, necessárias à própria concepção do símbolo. Quando o caminho da prática não acontece, estamos diante de um sinal e não de um símbolo.
É bem verdade que um mesmo padrão de comportamento da sociedade não deve ser tomado como algo imutável. Basta observar a própria evolução da sociedade seja em termos conceituais ou mesmo de padrões comportamentais. A expressão mais clara desse aspecto é a cultura na qual se está inserido. Acompanhando essas mudanças na cultura de cada sociedade é que Tillich propõe que a teologia seja reinterpretada de acordo com as diferentes formas de culturas. Isso não significa que valores embrionários sejam revistos, mas que outros valores atrelados a uma época, ou a circunstâncias históricas não possam ser revistos.
A igreja primitiva experimentou diversas condutas embrionárias para o cristianismo e que não deveriam der mudadas. Contudo, outras questões ao longo dos anos de existência do homem e de cristãos podem e devem ser revistas, sem que o receio de estar propondo heresias anulem essa revisão. Uma vez que não se contraria os princípios que regem o cristianismo não se pode falar em heresias.
Dessa forma, o aspecto do ensino no meio cristão sofreu influências ao longo da história, culminando com aquilo que se concluiu ser a maneira correta de ensinar. A utilização de uma linguagem rebuscada, recheada de terminologias teológicas eram sinônimos de um bom sermão ou de um bom estudo. Some-se a isso o fato de que no Brasil, era essa a exata forma da cultura vigente. Assim, a igreja apenas absorveu essas mudanças culturais, como disse Tillich.
Apesar de essa forma de apresentar o estudo bíblico ter cumprido um papel importante em seu contexto, nos dias de hoje, pela renovação e reinterpretação da cultura, torna-se necessário a criação de novos paradigmas. Obviamente, o que se propõe aqui não é a anulação do caráter profético das escrituras, ou se preferir, exortativo. O que se revela necessário é a contextualização das informações afim que que estas promovam a melhor comunicação com as pessoas.
Durante muitos anos a igreja evangélica vem administrando o ensino bíblico no formato da escola bíblica dominical. Mas a pergunta que se deve fazer com muita responsabilidade no intuito de colher padrões mais eficazes de comunicação, é se esse formato continua sendo o melhor para os dias da pós-modernidade. O caráter do ensino, que se traduz no princípio deve ser imutável, as formas com as quais esse ensino acontece não precisa, bem como não deveria ser imutável. Os responsáveis pelo ensino deveriam buscar outras formas para que o ensino bíblico seja melhor comunicado e, por isso, provoque maior mudança na sociedade.
Sem a reinterpretação das mudanças culturais da sociedade, se produz a estagnação de um princípio fundamental da fé cristã, que é o ensino da bíblia. Perceba que essa afirmação está muito longe de ser considerada uma heresia, porque o seu alvo é a melhoria do ensino e não a sua anulação. As formulações e teorias da comunicação foram revistas pela maior parte da sociedade com novos padrões culturais, mas a igreja insiste em permanecer alheia a essas mudanças. Talvez seja exatamente por isso que o ensino bíblico tenha se tornado um sinal, quando deveria ser um símbolo.
Já um símbolo é algo diferente. Ele pode representar pessoas ou conceitos. Um símbolo não é a pessoa ou o conceito em si, mas os representa. Ao contrário de um sinal, um símbolo assume uma interdependência com as pessoas. Veja por exemplo o símbolo da paz, conhecido como uma pomba. A pomba propriamente dita não é a paz, mas representa a paz. Nesse sentido, a paz se relaciona com o homem na medida em que o atinge de maneira holística, ou integral. Em última análise, um símbolo deveria produzir ações práticas, necessárias à própria concepção do símbolo. Quando o caminho da prática não acontece, estamos diante de um sinal e não de um símbolo.
É bem verdade que um mesmo padrão de comportamento da sociedade não deve ser tomado como algo imutável. Basta observar a própria evolução da sociedade seja em termos conceituais ou mesmo de padrões comportamentais. A expressão mais clara desse aspecto é a cultura na qual se está inserido. Acompanhando essas mudanças na cultura de cada sociedade é que Tillich propõe que a teologia seja reinterpretada de acordo com as diferentes formas de culturas. Isso não significa que valores embrionários sejam revistos, mas que outros valores atrelados a uma época, ou a circunstâncias históricas não possam ser revistos.
A igreja primitiva experimentou diversas condutas embrionárias para o cristianismo e que não deveriam der mudadas. Contudo, outras questões ao longo dos anos de existência do homem e de cristãos podem e devem ser revistas, sem que o receio de estar propondo heresias anulem essa revisão. Uma vez que não se contraria os princípios que regem o cristianismo não se pode falar em heresias.
Dessa forma, o aspecto do ensino no meio cristão sofreu influências ao longo da história, culminando com aquilo que se concluiu ser a maneira correta de ensinar. A utilização de uma linguagem rebuscada, recheada de terminologias teológicas eram sinônimos de um bom sermão ou de um bom estudo. Some-se a isso o fato de que no Brasil, era essa a exata forma da cultura vigente. Assim, a igreja apenas absorveu essas mudanças culturais, como disse Tillich.
Apesar de essa forma de apresentar o estudo bíblico ter cumprido um papel importante em seu contexto, nos dias de hoje, pela renovação e reinterpretação da cultura, torna-se necessário a criação de novos paradigmas. Obviamente, o que se propõe aqui não é a anulação do caráter profético das escrituras, ou se preferir, exortativo. O que se revela necessário é a contextualização das informações afim que que estas promovam a melhor comunicação com as pessoas.
Durante muitos anos a igreja evangélica vem administrando o ensino bíblico no formato da escola bíblica dominical. Mas a pergunta que se deve fazer com muita responsabilidade no intuito de colher padrões mais eficazes de comunicação, é se esse formato continua sendo o melhor para os dias da pós-modernidade. O caráter do ensino, que se traduz no princípio deve ser imutável, as formas com as quais esse ensino acontece não precisa, bem como não deveria ser imutável. Os responsáveis pelo ensino deveriam buscar outras formas para que o ensino bíblico seja melhor comunicado e, por isso, provoque maior mudança na sociedade.
Sem a reinterpretação das mudanças culturais da sociedade, se produz a estagnação de um princípio fundamental da fé cristã, que é o ensino da bíblia. Perceba que essa afirmação está muito longe de ser considerada uma heresia, porque o seu alvo é a melhoria do ensino e não a sua anulação. As formulações e teorias da comunicação foram revistas pela maior parte da sociedade com novos padrões culturais, mas a igreja insiste em permanecer alheia a essas mudanças. Talvez seja exatamente por isso que o ensino bíblico tenha se tornado um sinal, quando deveria ser um símbolo.
sábado, 30 de julho de 2011
RAZÃO E ATEÍSMO
Certa vez, estava participando de uma aula onde o assunto central era a existência de Deus. Depois de um caloroso debate, uma das participantes tentou resolver o assunto dizendo que Deus existia, porque somente Ele poderia dar origem a vida. Obviamente, aquele argumento poderia ser refutado por diversas maneiras, aliás, essa discussão entre teístas e ateístas faz parte da humanidade já há algum tempo. Depois daquele dia, passei a pensar bem mais sobre esse tema.
Nessa discussão, os argumentos sempre são utilizados na medida da comprovação, da explicação, da lógica conclusiva. Depois que o homem inventou o método científico, a validação ou não de qualquer coisa só pode ser definida a partir desse método. Assim, se não existe um argumento que possa comprovar a existência de Deus pelo raciocínio ou pela ciência, Deus não existe. Mas, será que um argumento pode comprovar racionalmente a existência de Deus? E, se Deus puder ser provado pela razão humana, Ele seria realmente Deus?
Naquela sala de aula, o argumento utilizado a favor do teísmo foi atribuído ao fato de que o homem não pode produzir vida. Pode ser que, para alguns, este argumento seja suficiente para substituir, ou pelo menos para colocá-lo no mesmo patamar da fé. Contudo, temos que lembrar que há bem pouco tempo, pessoas eram condenadas a morrer na fogueira por dizerem que a terra girava ao redor do sol. Hoje, o homem já pisou na Lua, conseguiu produzir clones, fertilizou óvulos em laboratório e descobriu que a Terra gira em torno do Sol. E agora, Deus ainda existe? Como atribuir a existência de Deus com base em argumentos do raciocínio humano, se Deus poderia estar acima deles?
Paradoxalmente, sem o raciocínio o homem seria apenas um fantoche, uma marionete nas mãos de um ser superior, ou somente do destino. O pensamento então se torna mais uma das formas em que o homem pode encontrar a Deus. A despeito disso, quando a capacidade de pensar busca argumentos para, por si só, comprovar ou não a existência de Deus acaba se afastando desse objetivo e Deus não aparece. Esse paradoxo entre pensamento e Deus revela algo ainda mais surpreendente. Foi Ele quem nos dotou da capacidade de pensar. Se pensamos é por Ele e para que o encontremos.
Como um teísta, tenho que dar a mão a palmatória. Devo concordar com o fato de que, em algumas situações, a resposta mais natural a “deus” é o ateísmo, pela falta de um mínimo de razão, de pensamento ou de raciocínio. Quando a existência de Deus passa a ser vinculada à religiosidade, liturgias, teologias e muitos infortúnios teológicos, todos deveriam se considerar ateus. Por outro lado, quando descobrimos que Deus não pode ser medido, que Ele é relacional e que faz parte de tudo o que há, a resposta natural é o teísmo. Talvez por isso, muitos ateus famosos como Francis S. Collins (A linguagem de Deus) e Antony Flew (Um ateu garante: Deus existe), tenham se rendido ao teísmo.
Acreditar ou não em Deus não pode ser relacionado ao raciocínio de forma isolada. Na verdade, o raciocínio foi dado por Ele para que pudéssemos encontrá-lo. Contudo, o pensamento lógico deve ser conduzido para além dos limites da razão, onde somente a fé pode levar. Ali sim, todos podem encontrar Deus.
Nessa discussão, os argumentos sempre são utilizados na medida da comprovação, da explicação, da lógica conclusiva. Depois que o homem inventou o método científico, a validação ou não de qualquer coisa só pode ser definida a partir desse método. Assim, se não existe um argumento que possa comprovar a existência de Deus pelo raciocínio ou pela ciência, Deus não existe. Mas, será que um argumento pode comprovar racionalmente a existência de Deus? E, se Deus puder ser provado pela razão humana, Ele seria realmente Deus?
Naquela sala de aula, o argumento utilizado a favor do teísmo foi atribuído ao fato de que o homem não pode produzir vida. Pode ser que, para alguns, este argumento seja suficiente para substituir, ou pelo menos para colocá-lo no mesmo patamar da fé. Contudo, temos que lembrar que há bem pouco tempo, pessoas eram condenadas a morrer na fogueira por dizerem que a terra girava ao redor do sol. Hoje, o homem já pisou na Lua, conseguiu produzir clones, fertilizou óvulos em laboratório e descobriu que a Terra gira em torno do Sol. E agora, Deus ainda existe? Como atribuir a existência de Deus com base em argumentos do raciocínio humano, se Deus poderia estar acima deles?
Paradoxalmente, sem o raciocínio o homem seria apenas um fantoche, uma marionete nas mãos de um ser superior, ou somente do destino. O pensamento então se torna mais uma das formas em que o homem pode encontrar a Deus. A despeito disso, quando a capacidade de pensar busca argumentos para, por si só, comprovar ou não a existência de Deus acaba se afastando desse objetivo e Deus não aparece. Esse paradoxo entre pensamento e Deus revela algo ainda mais surpreendente. Foi Ele quem nos dotou da capacidade de pensar. Se pensamos é por Ele e para que o encontremos.
Como um teísta, tenho que dar a mão a palmatória. Devo concordar com o fato de que, em algumas situações, a resposta mais natural a “deus” é o ateísmo, pela falta de um mínimo de razão, de pensamento ou de raciocínio. Quando a existência de Deus passa a ser vinculada à religiosidade, liturgias, teologias e muitos infortúnios teológicos, todos deveriam se considerar ateus. Por outro lado, quando descobrimos que Deus não pode ser medido, que Ele é relacional e que faz parte de tudo o que há, a resposta natural é o teísmo. Talvez por isso, muitos ateus famosos como Francis S. Collins (A linguagem de Deus) e Antony Flew (Um ateu garante: Deus existe), tenham se rendido ao teísmo.
Acreditar ou não em Deus não pode ser relacionado ao raciocínio de forma isolada. Na verdade, o raciocínio foi dado por Ele para que pudéssemos encontrá-lo. Contudo, o pensamento lógico deve ser conduzido para além dos limites da razão, onde somente a fé pode levar. Ali sim, todos podem encontrar Deus.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Essa tal felicidade...
Existem alguns conselhos que deveriam ser guardados no cofre mais seguro. Eles valem muito mais do que dólares,ouro e diamantes. Uma das tragédias da vida humana é não reconhecer esses conselhos quando eles aparecem. Geralmente, o que se vê são pessoas que prestam pouca atenção e acabam não reconhecendo quando eles surgem. Foi o que aconteceu numa ocasião onde encontrei o meu avô.
Após um período de férias, chegou o dia da despedida e ele me aconselhou: meu filho, seja feliz! Aquilo soou como uma daquelas frases feitas do tipo feliz natal, feliz aniversário e outras tantas. O meu modo automático da despedida e de suas frases típicas havia sido ligado e, por isso, não consegui enxergar naquele momento a verdadeira dimensão daquele conselho.Quem é feliz? A felicidade pode ser medida? Existe uma fórmula para se alcançar a felicidade?
Deixa a vida me levar... vida leva eu...
Esse é o conceito geral sobre a felicidade. Ser feliz é considerado um sentimento, um estado de espírito que vem quando e do jeito que a vida quer. Nesse sentido, somos todos marionetes no jogo da vida que insiste em nos colocar diante de situações que podem nos tornar mais ou menos felizes. Assim, quando temos um bom casamento, bons filhos, vida financeira estável, saúde, entre outras coisas, somos felizes. Mas tudo isso geralmente vem interpretado como uma casualidade do destino que a vida nos impõe. Será que toda a receita da felicidade deve ser atribuída ao acaso, ao destino, ou será que nós podemos contribuir para que a nossa felicidade seja alcançada?
O conselho do meu avô parece bem claro. Ser feliz é mais do que esperar o acaso. Apesar do acaso também poder interferir nesse processo, as nossas escolhas também podem determinar o quanto podemos ser felizes. Não posso tirar daqui o papel da casualidade da maioria das doenças ou acidentes, mas mesmo a casualidade pode ser minimizada com ações do presente.
Levar uma vida saudável com hábitos saudáveis elimina a possibilidade de se ter uma doença? Definitivamente não, mas diminui. Só quem fuma pode ter câncer de pulmão? Não, mas a estatística mostra a incidência muito maior de câncer em quem fuma.
Longe de querer apresentar uma fórmula para a felicidade, mas ser feliz pode ter muito mais relação com o buscar do que com o ser. Dentro dessa perspectiva, buscar a felicidade envolve ações e decisões. No fundo, o meu avô estava me dizendo: busque, construa a sua felicidade. Seja feliz!
Após um período de férias, chegou o dia da despedida e ele me aconselhou: meu filho, seja feliz! Aquilo soou como uma daquelas frases feitas do tipo feliz natal, feliz aniversário e outras tantas. O meu modo automático da despedida e de suas frases típicas havia sido ligado e, por isso, não consegui enxergar naquele momento a verdadeira dimensão daquele conselho.Quem é feliz? A felicidade pode ser medida? Existe uma fórmula para se alcançar a felicidade?
Deixa a vida me levar... vida leva eu...
Esse é o conceito geral sobre a felicidade. Ser feliz é considerado um sentimento, um estado de espírito que vem quando e do jeito que a vida quer. Nesse sentido, somos todos marionetes no jogo da vida que insiste em nos colocar diante de situações que podem nos tornar mais ou menos felizes. Assim, quando temos um bom casamento, bons filhos, vida financeira estável, saúde, entre outras coisas, somos felizes. Mas tudo isso geralmente vem interpretado como uma casualidade do destino que a vida nos impõe. Será que toda a receita da felicidade deve ser atribuída ao acaso, ao destino, ou será que nós podemos contribuir para que a nossa felicidade seja alcançada?
O conselho do meu avô parece bem claro. Ser feliz é mais do que esperar o acaso. Apesar do acaso também poder interferir nesse processo, as nossas escolhas também podem determinar o quanto podemos ser felizes. Não posso tirar daqui o papel da casualidade da maioria das doenças ou acidentes, mas mesmo a casualidade pode ser minimizada com ações do presente.
Levar uma vida saudável com hábitos saudáveis elimina a possibilidade de se ter uma doença? Definitivamente não, mas diminui. Só quem fuma pode ter câncer de pulmão? Não, mas a estatística mostra a incidência muito maior de câncer em quem fuma.
Longe de querer apresentar uma fórmula para a felicidade, mas ser feliz pode ter muito mais relação com o buscar do que com o ser. Dentro dessa perspectiva, buscar a felicidade envolve ações e decisões. No fundo, o meu avô estava me dizendo: busque, construa a sua felicidade. Seja feliz!
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Escolher ...
Depois de ouvir o discurso de Paulo e o seu raciocínio, pode-se observar a lógica histórica de seus argumentos. Além disso, pode ser somado a esse raciocínio histórico e genealógico, todas as circunstâncias envolvidas na própria vida de Cristo. Funde-se a esse raciocínio, todo um conjunto de milagres, discursos, sermões e finalmente naquilo que seria o marco para a mudança de endereço de Deus. Na morte e ressurreição de Cristo, Deus sairia de sua habitação fora do homem, e passaria a habitar dentro do homem. A promessa finalmente haveria de ser cumprida pelo envio do Espírito Santo, o chamado consolador.
Perceba como é muito fácil nos perdermos diante do que chamamos dia a dia, do cotidiano. Podemos passar anos e anos frequentando uma igreja, ouvindo lições importantes sobre os ensinamentos de Cristo, mas que na tomada de decisão, no momento da aplicação prática, muitos e muitos não conseguem enxergar o caminho. Mais desastroso do que esse aspecto é o fato de que mesmo quando o caminho é mostrado, ainda assim faz-se a opção por outro, tal qual o povo judeu que não reconheceu a pessoa de Cristo como o escolhido, mesmo após tantos sinais, tantas palavras, tanta lógica. Porque a maioria de nós não consegue enxergar o caminho? Porque muitos que conseguem enxergar o que fazer, tão frequentemente optam pela direção contrária? Porque no dia a dia temos enormes dificuldades para decidir fazer o que é correto?
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Salvação
A salvação como base para a doutrina cristã jamais foi ou poderá ser esquecida. Contudo, devo concordar com Stott quando diz em sua obra (Entenda a Bíblia) que "nenhuma outra palavra bíblica tenha sofrido tanto a partir do mau uso e da compreensão equivocada do que é salvação". Sott conceitua a salvação como sendo liberdade e renovação; em última instância, a renovação do universo inteiro e que a salvação seria uma experiência moral.
A partir desses conceitos iniciei uma reflexão e passei a meditar sobre o tema da salvação. A principal pergunta que me veio a mente foi: Se a salvação for associada a uma experiência moral, de forma isolada, não corre-se o risco de anular a função exclusiva e imprescindível da pessoa de Cristo? Pode ser que encontremos pessoas não cristãs com propósitos morais bem definidos, sendo que inclusive ateus podem ser moralmente corretos. Portanto, parece que o conceito de salvação atrelado a um conceito de experiência moral pode não ser suficiente para se compreender a dimensão do que é a salvação em Cristo.
Imagine alguém que possui princípios morais muito bem estabelecidos. O perfil dessa pessoa é composto por valores como verdade, respeito ao próximo, fidelidade conjugal e inclua-se nesse perfil tudo aquilo o que julgamos ser moralmente correto. Essas qualidades seriam suficientes para que tal pessoa fosse considerada salva? Creio que não. Se isso fosse assim, mais uma vez a pessoa de Cristo nesse aspecto seria prescindível.
Pode ser que encontremos pessoas com testemunhos de mudança de vida (algo que se espera num cristão) muito frequentes como abandono de certas práticas que são moralmente incorretas. Mas pense na hipótese daquela pessoa que é moralmente correta. Qual foi a mudança em sua vida para que se declare salva? O aspecto moral dessa pessoa estaria irretocável. Assim, qual seria o testemunho de salvação, uma vez que o seu caráter, seus princípios morais eram retos diante de Deus? Nesse sentido, também cabe a pergunta: alguém que pratica os princípios cristãos pode ser considerado um cristão?
A transformação ou experiência moral pode ser uma consequência natural da salvação em Cristo, mas não pode, por si só, definir a salvação a não ser que esteja inseparavelmente presa ao conceito de justificação. Parece-me impossível não associar a salvação com a justificação em Cristo. É somente pela justificação em Cristo que podemos ter acesso a salvação e esta, por consequência, nos levar a uma transformação moral.
Por isso, vejo ainda não como uma opinião totalmente formada, que a principal característica da salvação não pode ser a mudança exclusivamente moral. Esse mudança de forma isolada exclui a justificação em Cristo. Contudo, me parece que o sinal irrevogável da salvação seja a consciência do pecado. Muito mais do que uma consciência moral de pecado, mas de uma consciência que leva irresistivelmente ao arrependimento e à certeza de que sem Cristo se está separado de Deus e que somente Ele (Cristo) pode restaurar essa condição. Portanto, podemos encontrar pessoas boas, mas que sem a consciência da separação de Deus pelo pecado, que somente pode ser restaurada em Cristo e pela fé, ainda continuam sem salvação. A salvação então pode ser o reflexo da fé em reconhecer que somente Cristo pode nos aproximar novamente de Deus. Com isso, a experiência moral como mudança de vida torna a prática de princípios cristãos numa consciência racional de vida cristã em Jesus Cristo.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Discussão
Acho que todo mundo conhece o velho ditado: "Futebol e Religião não se discute". Durante algum tempo passei a refletir se isso, de fato, era verdadeiro ou não. No início da construção de uma linha de pensamento, observei que o sentido da palavra discussão tornou-se sinônimo de briga, falar mais alto, entre outras coisas. Mas o que de fato seria uma discussão?
Quando se faz referência ao velho ditado, observa-se também aquilo que de modo bem casual ficou conhecido como sabedoria popular. Não que eu concorde com todo o acervo de tal sabedoria, mas me parece que em certo aspecto, existe algum fundamento. Veja que nesse mundo pós-moderno pouco se dá valor à construção de um conceito. Essa construção pode ser desenvolvida a partir de uma série de ferramentas como leitura, entrevistas, letras musicais e também por uma boa discussão. Aqui a discussão surge quando se quer firmar um conceito, quando se quer refletir para acreditar em alguma coisa. Quando o conceito já está firmado, não cabe qualquer discussão. Talvez seja exatamente por isso que o termo passou a refletir uma condição de confusão.
Pode ser que isso nos pegue de surpresa, mas as diferenças de conceitos não podem fazer parte de qualquer discussão, a não ser que tal conceito esteja susceptível a revisões. Nesse sentido, rever conceitos pode ser extremamente valioso. Assim, me parece óbvio concluir que tudo merece discussão, desde que se esteja aberto a revisões conceituais maduras. A história mostra o quanto isso é importante. Muitas pessoas foram condenadas na história da humanidade porque alguns conceitos, que eram tidos como verdades absolutas, foram revistos por muitas pessoas, essas tais que sofreram as duras consequências da revisão conceitual. O fato é que depois de alguns anos, os conceitos mudaram seja por provas científicas, seja por provas filosóficas.
Se futebol e religião não se discute é porque os conceitos já estão formados. Mas a verdade é que um conceito só pode subsistir se ele passar constantemente pelas provas das revisões. Um conceito formado só pode ser respeitado se ele conseguir resistir a uma boa discussão. Obviamente que alguns valores como a fé por exemplo, limitam essa discussão. Contudo, alguém que defende um conceito jamais poderia ter medo de participar de uma discussão, porque dela surge o conceito melhorado, lapidado e cada vez mais consolidado, ou não.
Diante disso, fica a pergunta: até quando vale a pena torcer pelo Palmeiras e até quando vale a pena ser cristão? Se os conceitos puderem resistir as revisões conceituais valerá a pena. Quanto a torcer pelo Palmeiras não estou certo, mas quanto a ser cristão... que venham as discussões para o meu principal valor ser fortalecido.
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