quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Discussão

Acho que todo mundo conhece o velho ditado: "Futebol e Religião não se discute". Durante algum tempo passei a refletir se isso, de fato, era verdadeiro ou não. No início da construção de uma linha de pensamento, observei que o sentido da palavra discussão tornou-se sinônimo de briga, falar mais alto, entre outras coisas. Mas o que de fato seria uma discussão?
Quando se faz referência ao velho ditado, observa-se também aquilo que de modo bem casual ficou conhecido como sabedoria popular. Não que eu concorde com todo o acervo de tal sabedoria, mas me parece que em certo aspecto, existe algum fundamento. Veja que nesse mundo pós-moderno pouco se dá valor à construção de um conceito. Essa construção pode ser desenvolvida a partir de uma série de ferramentas como leitura, entrevistas, letras musicais e também por uma boa discussão. Aqui a discussão surge quando se quer firmar um conceito, quando se quer refletir para acreditar em alguma coisa. Quando o conceito já está firmado, não cabe qualquer discussão. Talvez seja exatamente por isso que o termo passou a refletir uma condição de confusão.
Pode ser que isso nos pegue de surpresa, mas as diferenças de conceitos não podem fazer parte de qualquer discussão, a não ser que tal conceito esteja susceptível a revisões. Nesse sentido, rever conceitos pode ser extremamente valioso. Assim, me parece óbvio concluir que tudo merece discussão, desde que se esteja aberto a revisões conceituais maduras. A história mostra o quanto isso é importante. Muitas pessoas foram condenadas na história da humanidade porque alguns conceitos, que eram tidos como verdades absolutas, foram revistos por muitas pessoas, essas tais que sofreram as duras consequências da revisão conceitual. O fato é que depois de alguns anos, os conceitos mudaram seja por provas científicas, seja por provas filosóficas.
Se futebol e religião não se discute é porque os conceitos já estão formados. Mas a verdade é que um conceito só pode subsistir se ele passar constantemente pelas provas das revisões. Um conceito formado só pode ser respeitado se ele conseguir resistir a uma boa discussão. Obviamente que alguns valores como a fé por exemplo, limitam essa discussão. Contudo, alguém que defende um conceito jamais poderia ter medo de participar de uma discussão, porque dela surge o conceito melhorado, lapidado e cada vez mais consolidado, ou não.
Diante disso, fica a pergunta: até quando vale a pena torcer pelo Palmeiras e até quando vale a pena ser cristão? Se os conceitos puderem resistir as revisões conceituais valerá a pena. Quanto a torcer pelo Palmeiras não estou certo, mas quanto a ser cristão... que venham as discussões para o meu principal valor ser fortalecido.

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