Certa vez, estava participando de uma aula onde o assunto central era a existência de Deus. Depois de um caloroso debate, uma das participantes tentou resolver o assunto dizendo que Deus existia, porque somente Ele poderia dar origem a vida. Obviamente, aquele argumento poderia ser refutado por diversas maneiras, aliás, essa discussão entre teístas e ateístas faz parte da humanidade já há algum tempo. Depois daquele dia, passei a pensar bem mais sobre esse tema.
Nessa discussão, os argumentos sempre são utilizados na medida da comprovação, da explicação, da lógica conclusiva. Depois que o homem inventou o método científico, a validação ou não de qualquer coisa só pode ser definida a partir desse método. Assim, se não existe um argumento que possa comprovar a existência de Deus pelo raciocínio ou pela ciência, Deus não existe. Mas, será que um argumento pode comprovar racionalmente a existência de Deus? E, se Deus puder ser provado pela razão humana, Ele seria realmente Deus?
Naquela sala de aula, o argumento utilizado a favor do teísmo foi atribuído ao fato de que o homem não pode produzir vida. Pode ser que, para alguns, este argumento seja suficiente para substituir, ou pelo menos para colocá-lo no mesmo patamar da fé. Contudo, temos que lembrar que há bem pouco tempo, pessoas eram condenadas a morrer na fogueira por dizerem que a terra girava ao redor do sol. Hoje, o homem já pisou na Lua, conseguiu produzir clones, fertilizou óvulos em laboratório e descobriu que a Terra gira em torno do Sol. E agora, Deus ainda existe? Como atribuir a existência de Deus com base em argumentos do raciocínio humano, se Deus poderia estar acima deles?
Paradoxalmente, sem o raciocínio o homem seria apenas um fantoche, uma marionete nas mãos de um ser superior, ou somente do destino. O pensamento então se torna mais uma das formas em que o homem pode encontrar a Deus. A despeito disso, quando a capacidade de pensar busca argumentos para, por si só, comprovar ou não a existência de Deus acaba se afastando desse objetivo e Deus não aparece. Esse paradoxo entre pensamento e Deus revela algo ainda mais surpreendente. Foi Ele quem nos dotou da capacidade de pensar. Se pensamos é por Ele e para que o encontremos.
Como um teísta, tenho que dar a mão a palmatória. Devo concordar com o fato de que, em algumas situações, a resposta mais natural a “deus” é o ateísmo, pela falta de um mínimo de razão, de pensamento ou de raciocínio. Quando a existência de Deus passa a ser vinculada à religiosidade, liturgias, teologias e muitos infortúnios teológicos, todos deveriam se considerar ateus. Por outro lado, quando descobrimos que Deus não pode ser medido, que Ele é relacional e que faz parte de tudo o que há, a resposta natural é o teísmo. Talvez por isso, muitos ateus famosos como Francis S. Collins (A linguagem de Deus) e Antony Flew (Um ateu garante: Deus existe), tenham se rendido ao teísmo.
Acreditar ou não em Deus não pode ser relacionado ao raciocínio de forma isolada. Na verdade, o raciocínio foi dado por Ele para que pudéssemos encontrá-lo. Contudo, o pensamento lógico deve ser conduzido para além dos limites da razão, onde somente a fé pode levar. Ali sim, todos podem encontrar Deus.
sábado, 30 de julho de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
Essa tal felicidade...
Existem alguns conselhos que deveriam ser guardados no cofre mais seguro. Eles valem muito mais do que dólares,ouro e diamantes. Uma das tragédias da vida humana é não reconhecer esses conselhos quando eles aparecem. Geralmente, o que se vê são pessoas que prestam pouca atenção e acabam não reconhecendo quando eles surgem. Foi o que aconteceu numa ocasião onde encontrei o meu avô.
Após um período de férias, chegou o dia da despedida e ele me aconselhou: meu filho, seja feliz! Aquilo soou como uma daquelas frases feitas do tipo feliz natal, feliz aniversário e outras tantas. O meu modo automático da despedida e de suas frases típicas havia sido ligado e, por isso, não consegui enxergar naquele momento a verdadeira dimensão daquele conselho.Quem é feliz? A felicidade pode ser medida? Existe uma fórmula para se alcançar a felicidade?
Deixa a vida me levar... vida leva eu...
Esse é o conceito geral sobre a felicidade. Ser feliz é considerado um sentimento, um estado de espírito que vem quando e do jeito que a vida quer. Nesse sentido, somos todos marionetes no jogo da vida que insiste em nos colocar diante de situações que podem nos tornar mais ou menos felizes. Assim, quando temos um bom casamento, bons filhos, vida financeira estável, saúde, entre outras coisas, somos felizes. Mas tudo isso geralmente vem interpretado como uma casualidade do destino que a vida nos impõe. Será que toda a receita da felicidade deve ser atribuída ao acaso, ao destino, ou será que nós podemos contribuir para que a nossa felicidade seja alcançada?
O conselho do meu avô parece bem claro. Ser feliz é mais do que esperar o acaso. Apesar do acaso também poder interferir nesse processo, as nossas escolhas também podem determinar o quanto podemos ser felizes. Não posso tirar daqui o papel da casualidade da maioria das doenças ou acidentes, mas mesmo a casualidade pode ser minimizada com ações do presente.
Levar uma vida saudável com hábitos saudáveis elimina a possibilidade de se ter uma doença? Definitivamente não, mas diminui. Só quem fuma pode ter câncer de pulmão? Não, mas a estatística mostra a incidência muito maior de câncer em quem fuma.
Longe de querer apresentar uma fórmula para a felicidade, mas ser feliz pode ter muito mais relação com o buscar do que com o ser. Dentro dessa perspectiva, buscar a felicidade envolve ações e decisões. No fundo, o meu avô estava me dizendo: busque, construa a sua felicidade. Seja feliz!
Após um período de férias, chegou o dia da despedida e ele me aconselhou: meu filho, seja feliz! Aquilo soou como uma daquelas frases feitas do tipo feliz natal, feliz aniversário e outras tantas. O meu modo automático da despedida e de suas frases típicas havia sido ligado e, por isso, não consegui enxergar naquele momento a verdadeira dimensão daquele conselho.Quem é feliz? A felicidade pode ser medida? Existe uma fórmula para se alcançar a felicidade?
Deixa a vida me levar... vida leva eu...
Esse é o conceito geral sobre a felicidade. Ser feliz é considerado um sentimento, um estado de espírito que vem quando e do jeito que a vida quer. Nesse sentido, somos todos marionetes no jogo da vida que insiste em nos colocar diante de situações que podem nos tornar mais ou menos felizes. Assim, quando temos um bom casamento, bons filhos, vida financeira estável, saúde, entre outras coisas, somos felizes. Mas tudo isso geralmente vem interpretado como uma casualidade do destino que a vida nos impõe. Será que toda a receita da felicidade deve ser atribuída ao acaso, ao destino, ou será que nós podemos contribuir para que a nossa felicidade seja alcançada?
O conselho do meu avô parece bem claro. Ser feliz é mais do que esperar o acaso. Apesar do acaso também poder interferir nesse processo, as nossas escolhas também podem determinar o quanto podemos ser felizes. Não posso tirar daqui o papel da casualidade da maioria das doenças ou acidentes, mas mesmo a casualidade pode ser minimizada com ações do presente.
Levar uma vida saudável com hábitos saudáveis elimina a possibilidade de se ter uma doença? Definitivamente não, mas diminui. Só quem fuma pode ter câncer de pulmão? Não, mas a estatística mostra a incidência muito maior de câncer em quem fuma.
Longe de querer apresentar uma fórmula para a felicidade, mas ser feliz pode ter muito mais relação com o buscar do que com o ser. Dentro dessa perspectiva, buscar a felicidade envolve ações e decisões. No fundo, o meu avô estava me dizendo: busque, construa a sua felicidade. Seja feliz!
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