segunda-feira, 8 de agosto de 2011
A Matrix, Thundercats, Immanuel Kant, Tillich e Fé.
Quem não se entusiasmou com as cenas de ação produzidas por Neo, quando no interior da Matrix possuía poderes que manipulavam tudo o que estava a sua volta. O seu corpo executava movimentos que não eram próprios de seres vertebrados, uma vez que para executá-los, não poderiam haver ossos. Dentro da Matrix a humanidade vivia de forma comum, com tudo aquilo que era pré-determinado ao ser humano. Alguns para viver em família, outros para viverem sozinhos, alguns para uma vida saudável com restrições alimentares e outros somente para usufruir de uma dieta livre, sem peso na consciência. Alguns com hábitos diferentes como fumar, usar drogas, praticar esportes radicais e alguns pensando, pensando, pensando e pesando.
Pensar elevado a décima potencia significa filosofar. Alguns na Matrix pensavam assim e eram chamados de filósofos. Para essas pessoas alguma coisa aconteceria fora daquela vida, fora da Matrix. Alguém deveria estar controlando aquele “sistema” de vida. Para enxergar além da Matrix, seria necessário a utilização de óculos especiais. Uma vez que se utilizava esses óculos, obtinha-se o poder de uma visão além do alcance de Lion (thundercats). A realidade não era como se estava vendo, mas um universo diferente estaria em volta da Matrix. Contudo, para obter esses óculos, os óculos de Kant, seria necessário se desprender de qualquer resíduo de realidade e, por isso, a tarefa era difícil.
A comunidade da Matrix estava formada, impregnada com a razão e com a lógica do modo cognitivo. Poucas pessoas tinham a capacidade para enxergar além da Matrix. Mas com os óculos de Kant isso seria possível.
Do desejo incontrolável de conhecer de onde se vem e para onde se vai, algumas pessoas pensavam na décima potência. Essa era a chave para encontrar os óculos de Kant e perceber o que realmente estava a sua volta. Percebia-se que a Matrix era de responsabilidade de um “arquiteto”, que conduzia tudo ao seu controle. A sede de liberdade levaria ao confronto com o arquiteto e com as lentes de Kant, os filósofos pensariam uma vez mais. Quem estaria acima do arquiteto? A procura pela realidade da Matrix chegaria ao seu final quando o confronto entre o herói (filósofo) e o “provedor” aconteceria. Uma espécie de acordo foi realizado e a convivência passou a ser pacífica.
Os filósofos da Matrix passariam a pensar no pensamento elevado a centésima potencia. Quem estaria acima do provedor da Matrix? E quem estaria acima da Matrix? O pensamento dos filósofos teve uma estranha reação com a diversidade e complexidade infinita dos pensamentos. No limite das potências, já no terreno do infinito o pensamento sofreu um “bug”. As lentes de Kant já não poderiam ver além daquilo. A visão além do alcance havia encontrado o seu limite. Nesse dia, os filósofos encontraram a fé na existência de um ser superior acima de tudo, que não poderia ser explicado ou definido a não ser por Ele mesmo. O Incondicionado.
Pensar elevado a décima potencia significa filosofar. Alguns na Matrix pensavam assim e eram chamados de filósofos. Para essas pessoas alguma coisa aconteceria fora daquela vida, fora da Matrix. Alguém deveria estar controlando aquele “sistema” de vida. Para enxergar além da Matrix, seria necessário a utilização de óculos especiais. Uma vez que se utilizava esses óculos, obtinha-se o poder de uma visão além do alcance de Lion (thundercats). A realidade não era como se estava vendo, mas um universo diferente estaria em volta da Matrix. Contudo, para obter esses óculos, os óculos de Kant, seria necessário se desprender de qualquer resíduo de realidade e, por isso, a tarefa era difícil.
A comunidade da Matrix estava formada, impregnada com a razão e com a lógica do modo cognitivo. Poucas pessoas tinham a capacidade para enxergar além da Matrix. Mas com os óculos de Kant isso seria possível.
Do desejo incontrolável de conhecer de onde se vem e para onde se vai, algumas pessoas pensavam na décima potência. Essa era a chave para encontrar os óculos de Kant e perceber o que realmente estava a sua volta. Percebia-se que a Matrix era de responsabilidade de um “arquiteto”, que conduzia tudo ao seu controle. A sede de liberdade levaria ao confronto com o arquiteto e com as lentes de Kant, os filósofos pensariam uma vez mais. Quem estaria acima do arquiteto? A procura pela realidade da Matrix chegaria ao seu final quando o confronto entre o herói (filósofo) e o “provedor” aconteceria. Uma espécie de acordo foi realizado e a convivência passou a ser pacífica.
Os filósofos da Matrix passariam a pensar no pensamento elevado a centésima potencia. Quem estaria acima do provedor da Matrix? E quem estaria acima da Matrix? O pensamento dos filósofos teve uma estranha reação com a diversidade e complexidade infinita dos pensamentos. No limite das potências, já no terreno do infinito o pensamento sofreu um “bug”. As lentes de Kant já não poderiam ver além daquilo. A visão além do alcance havia encontrado o seu limite. Nesse dia, os filósofos encontraram a fé na existência de um ser superior acima de tudo, que não poderia ser explicado ou definido a não ser por Ele mesmo. O Incondicionado.
domingo, 7 de agosto de 2011
Símbolos e Sinais
O que um sinal diz e o que um símbolo provoca? Paul Tillich aborda em "Teologia da Cultura" a diferença entre um sinal e um símbolo. Tome um sinal comum, por exemplo, uma placa de proibido fumar. Esse aviso pode gerar em quem o vê diferentes pensamentos. Alguns podem relacionar a este sinal a ideia de uma patologia derivada do uso do cigarro, ou de eventuais restrições legais por não ser permitido fumar em determinados locais. Um sinal então é um alerta que não produz necessariamente um tipo de comportamento e que mantem uma relação isolada com quem o vê. O sinal está lá para alertar, mas se um padrão de comportamento será obtido, pouco importa. Ele é inerte ao padrão comportamental.
Já um símbolo é algo diferente. Ele pode representar pessoas ou conceitos. Um símbolo não é a pessoa ou o conceito em si, mas os representa. Ao contrário de um sinal, um símbolo assume uma interdependência com as pessoas. Veja por exemplo o símbolo da paz, conhecido como uma pomba. A pomba propriamente dita não é a paz, mas representa a paz. Nesse sentido, a paz se relaciona com o homem na medida em que o atinge de maneira holística, ou integral. Em última análise, um símbolo deveria produzir ações práticas, necessárias à própria concepção do símbolo. Quando o caminho da prática não acontece, estamos diante de um sinal e não de um símbolo.
É bem verdade que um mesmo padrão de comportamento da sociedade não deve ser tomado como algo imutável. Basta observar a própria evolução da sociedade seja em termos conceituais ou mesmo de padrões comportamentais. A expressão mais clara desse aspecto é a cultura na qual se está inserido. Acompanhando essas mudanças na cultura de cada sociedade é que Tillich propõe que a teologia seja reinterpretada de acordo com as diferentes formas de culturas. Isso não significa que valores embrionários sejam revistos, mas que outros valores atrelados a uma época, ou a circunstâncias históricas não possam ser revistos.
A igreja primitiva experimentou diversas condutas embrionárias para o cristianismo e que não deveriam der mudadas. Contudo, outras questões ao longo dos anos de existência do homem e de cristãos podem e devem ser revistas, sem que o receio de estar propondo heresias anulem essa revisão. Uma vez que não se contraria os princípios que regem o cristianismo não se pode falar em heresias.
Dessa forma, o aspecto do ensino no meio cristão sofreu influências ao longo da história, culminando com aquilo que se concluiu ser a maneira correta de ensinar. A utilização de uma linguagem rebuscada, recheada de terminologias teológicas eram sinônimos de um bom sermão ou de um bom estudo. Some-se a isso o fato de que no Brasil, era essa a exata forma da cultura vigente. Assim, a igreja apenas absorveu essas mudanças culturais, como disse Tillich.
Apesar de essa forma de apresentar o estudo bíblico ter cumprido um papel importante em seu contexto, nos dias de hoje, pela renovação e reinterpretação da cultura, torna-se necessário a criação de novos paradigmas. Obviamente, o que se propõe aqui não é a anulação do caráter profético das escrituras, ou se preferir, exortativo. O que se revela necessário é a contextualização das informações afim que que estas promovam a melhor comunicação com as pessoas.
Durante muitos anos a igreja evangélica vem administrando o ensino bíblico no formato da escola bíblica dominical. Mas a pergunta que se deve fazer com muita responsabilidade no intuito de colher padrões mais eficazes de comunicação, é se esse formato continua sendo o melhor para os dias da pós-modernidade. O caráter do ensino, que se traduz no princípio deve ser imutável, as formas com as quais esse ensino acontece não precisa, bem como não deveria ser imutável. Os responsáveis pelo ensino deveriam buscar outras formas para que o ensino bíblico seja melhor comunicado e, por isso, provoque maior mudança na sociedade.
Sem a reinterpretação das mudanças culturais da sociedade, se produz a estagnação de um princípio fundamental da fé cristã, que é o ensino da bíblia. Perceba que essa afirmação está muito longe de ser considerada uma heresia, porque o seu alvo é a melhoria do ensino e não a sua anulação. As formulações e teorias da comunicação foram revistas pela maior parte da sociedade com novos padrões culturais, mas a igreja insiste em permanecer alheia a essas mudanças. Talvez seja exatamente por isso que o ensino bíblico tenha se tornado um sinal, quando deveria ser um símbolo.
Já um símbolo é algo diferente. Ele pode representar pessoas ou conceitos. Um símbolo não é a pessoa ou o conceito em si, mas os representa. Ao contrário de um sinal, um símbolo assume uma interdependência com as pessoas. Veja por exemplo o símbolo da paz, conhecido como uma pomba. A pomba propriamente dita não é a paz, mas representa a paz. Nesse sentido, a paz se relaciona com o homem na medida em que o atinge de maneira holística, ou integral. Em última análise, um símbolo deveria produzir ações práticas, necessárias à própria concepção do símbolo. Quando o caminho da prática não acontece, estamos diante de um sinal e não de um símbolo.
É bem verdade que um mesmo padrão de comportamento da sociedade não deve ser tomado como algo imutável. Basta observar a própria evolução da sociedade seja em termos conceituais ou mesmo de padrões comportamentais. A expressão mais clara desse aspecto é a cultura na qual se está inserido. Acompanhando essas mudanças na cultura de cada sociedade é que Tillich propõe que a teologia seja reinterpretada de acordo com as diferentes formas de culturas. Isso não significa que valores embrionários sejam revistos, mas que outros valores atrelados a uma época, ou a circunstâncias históricas não possam ser revistos.
A igreja primitiva experimentou diversas condutas embrionárias para o cristianismo e que não deveriam der mudadas. Contudo, outras questões ao longo dos anos de existência do homem e de cristãos podem e devem ser revistas, sem que o receio de estar propondo heresias anulem essa revisão. Uma vez que não se contraria os princípios que regem o cristianismo não se pode falar em heresias.
Dessa forma, o aspecto do ensino no meio cristão sofreu influências ao longo da história, culminando com aquilo que se concluiu ser a maneira correta de ensinar. A utilização de uma linguagem rebuscada, recheada de terminologias teológicas eram sinônimos de um bom sermão ou de um bom estudo. Some-se a isso o fato de que no Brasil, era essa a exata forma da cultura vigente. Assim, a igreja apenas absorveu essas mudanças culturais, como disse Tillich.
Apesar de essa forma de apresentar o estudo bíblico ter cumprido um papel importante em seu contexto, nos dias de hoje, pela renovação e reinterpretação da cultura, torna-se necessário a criação de novos paradigmas. Obviamente, o que se propõe aqui não é a anulação do caráter profético das escrituras, ou se preferir, exortativo. O que se revela necessário é a contextualização das informações afim que que estas promovam a melhor comunicação com as pessoas.
Durante muitos anos a igreja evangélica vem administrando o ensino bíblico no formato da escola bíblica dominical. Mas a pergunta que se deve fazer com muita responsabilidade no intuito de colher padrões mais eficazes de comunicação, é se esse formato continua sendo o melhor para os dias da pós-modernidade. O caráter do ensino, que se traduz no princípio deve ser imutável, as formas com as quais esse ensino acontece não precisa, bem como não deveria ser imutável. Os responsáveis pelo ensino deveriam buscar outras formas para que o ensino bíblico seja melhor comunicado e, por isso, provoque maior mudança na sociedade.
Sem a reinterpretação das mudanças culturais da sociedade, se produz a estagnação de um princípio fundamental da fé cristã, que é o ensino da bíblia. Perceba que essa afirmação está muito longe de ser considerada uma heresia, porque o seu alvo é a melhoria do ensino e não a sua anulação. As formulações e teorias da comunicação foram revistas pela maior parte da sociedade com novos padrões culturais, mas a igreja insiste em permanecer alheia a essas mudanças. Talvez seja exatamente por isso que o ensino bíblico tenha se tornado um sinal, quando deveria ser um símbolo.
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