sábado, 5 de novembro de 2011

Está tudo bem ?

Não há ministério sem um ministro! Essa é uma afirmação essencial quando se fala em ministérios. O líder sente o chamado para construir, programar e manter um ministério, contudo é freqüente que se envolva em vários outros, por sua natureza peculiar. O que quase nunca se observa é que o líder precisa de uma postura “filtrante”.
Muitas vezes o líder se envolve em vários ministérios como forma de absorver a necessidade ou a ausência de pessoas para aquela determinada função. Quando se trata de uma função aparentemente não tão “importante” fica relativamente fácil resolver a questão: deixa-se o lugar vago até que alguém se desperte para o chamado específico daquele ministério. Quando se interpela pela ausência de alguém neste caso, prontamente se diz: temos que esperar o tempo de Deus e ter a fé necessária de que Ele há de suprir essa necessidade, na medida em que se trabalha para que pessoas escolhidas possam ter os ouvidos e olhos espirituais abertos para o chamado divino. Absolutamente formidável! Contudo, quando o assunto é uma posição “mais importante”, o conceito tende a mudanças. A fé pela providência divina passa a ser não tão clara.
O que se faz quando um líder está envolvido no ministério A, B, C e D, mas o seu chamado, aquilo que faz o seu coração arder é o ministério A? Mas o líder também executa muito bem suas funções no ministério B, C e D ! Esse geralmente é o argumento que se usa para mantê-lo na posição, enquanto Deus não providencia outra pessoa. Passa-se a não crer mais que aquela vaga há de ser preenchida por alguém que o próprio Deus vai providenciar.
Mas se, por outro lado, a função envolver alguém de um ministério mais evidente, como o ministério de louvor? O instrumentista executa muito bem sua função, mas sente que o seu chamado é para outro ministério. Pensa-se: vá fazendo suas outras funções, enquanto não se acha outro. Com isso, abstém-se do conceito anteriormente descrito. Cria-se um peso com duas medidas. Trata-se do problema como algo que não tem solução, como um câncer ou outra doença incurável em que se administra um placebo, enquanto se espera a morte. O detalhe é que está situação tem cura e não deve ser tratada com um placebo. É preciso que se tenha um posicionamento firme sobre aquilo que Deus coloca ao cuidado do ministro.
O líder possui uma característica marcante: fazer bem ou, pelo menos, conseguir executar aquilo que se destina a ele. Seja varrer o chão, ficar com as crianças, cantar no culto (se for afinadinho), trazer uma mensagem, dar uma aula, enfim, tudo o que se apresenta a ele, o líder se sente responsável por fazer bem feito. A conseqüência disso é que as necessidades reais da igreja são encobertas e passa-se uma idéia de que está tudo bem porque sempre existe alguém tocando, ensinando, mas o que não se sabe é que nos bastidores existem poucas pessoas trabalhando para que tudo ocorra razoavelmente bem.
É preciso crer que Deus tem preparado pessoas para assumir a guerra em posições estratégicas. O que seria de um exército se uma pessoa exercesse o papel de soldado, general, médico e etc. O serviço poderia até ser executado, mas de maneira ideal? O que realmente acontece quando se acumula muitas funções ministeriais é que não se envolve no ministério com excelência, não se estabelece um referencial, deixa-se de ser um incentivo a outros, prefere-se executar muitas funções ao mesmo tempo e se é apenas razoável, e porque não dizer medíocre, em aceitar o fato de que Deus quer que o ofereçamos o nosso melhor. Assim, tem-se 15 minutos para ensaiar, 20 minutos para preparar a lição, 30 minutos na semana para preparação do pequeno grupo e quase nenhum tempo para o mais importante: dedicação espiritual, dobrar os joelhos, clamar por direção e interceder pelo seu ministério. Desta forma, seguindo esses moldes, nunca se tem um ministério e sim atividades a serem executadas, bem ou mal, mas sempre executadas aquém do que poderiam ser.
O líder por vezes também se esquece que por trás de seu ministério existe uma família que precisa ser administrada, existem afazeres profissionais que precisam ser administrados, toda uma atividade que deve ser executada também fora do contexto da igreja e, geralmente, por seu perfeccionismo natural e não por impulso divino, deixa de levar em consideração esses aspectos e tenta dedicar-se a fundo em todas, absolutamente todas as suas atividades. Por serem tantas, acaba exprimindo superficialidade, nunca atingindo a profundidade que impacta, que toca de forma fulminante, que gera mudança com intensa alegria.
Todos sofrem com essa situação porque o líder que não se dedica a um só ministério, ou pelo menos aos que tem condição de assumir saudavelmente, se submete às suas funções e tenta executa-las da melhor forma, mas quase sempre insuficientes para atender a todas as suas demandas como ministro, marido, pai, irmão e etc. A fé no placebo deve deixar de existir e dar lugar a fé genuína, a certeza de que quem mexe as pedras no xadrez é Deus e se não há um ministro para um ministério, que este simplesmente não exista por enquanto, porque “há tempo para tudo debaixo do sol!”.