domingo, 7 de agosto de 2011

Símbolos e Sinais

O que um sinal diz e o que um símbolo provoca? Paul Tillich aborda em "Teologia da Cultura" a diferença entre um sinal e um símbolo. Tome um sinal comum, por exemplo, uma placa de proibido fumar. Esse aviso pode gerar em quem o vê diferentes pensamentos. Alguns podem relacionar a este sinal a ideia de uma patologia derivada do uso do cigarro, ou de eventuais restrições legais por não ser permitido fumar em determinados locais. Um sinal então é um alerta que não produz necessariamente um tipo de comportamento e que mantem uma relação isolada com quem o vê. O sinal está lá para alertar, mas se um padrão de comportamento será obtido, pouco importa. Ele é inerte ao padrão comportamental.

Já um símbolo é algo diferente. Ele pode representar pessoas ou conceitos. Um símbolo não é a pessoa ou o conceito em si, mas os representa. Ao contrário de um sinal, um símbolo assume uma interdependência com as pessoas. Veja por exemplo o símbolo da paz, conhecido como uma pomba. A pomba propriamente dita não é a paz, mas representa a paz. Nesse sentido, a paz se relaciona com o homem na medida em que o atinge de maneira holística, ou integral. Em última análise, um símbolo deveria produzir ações práticas, necessárias à própria concepção do símbolo. Quando o caminho da prática não acontece, estamos diante de um sinal e não de um símbolo.

É bem verdade que um mesmo padrão de comportamento da sociedade não deve ser tomado como algo imutável. Basta observar a própria evolução da sociedade seja em termos conceituais ou mesmo de padrões comportamentais. A expressão mais clara desse aspecto é a cultura na qual se está inserido. Acompanhando essas mudanças na cultura de cada sociedade é que Tillich propõe que a teologia seja reinterpretada de acordo com as diferentes formas de culturas. Isso não significa que valores embrionários sejam revistos, mas que outros valores atrelados a uma época, ou a circunstâncias históricas não possam ser revistos.

A igreja primitiva experimentou diversas condutas embrionárias para o cristianismo e que não deveriam der mudadas. Contudo, outras questões ao longo dos anos de existência do homem e de cristãos podem e devem ser revistas, sem que o receio de estar propondo heresias anulem essa revisão. Uma vez que não se contraria os princípios que regem o cristianismo não se pode falar em heresias.

Dessa forma, o aspecto do ensino no meio cristão sofreu influências ao longo da história, culminando com aquilo que se concluiu ser a maneira correta de ensinar. A utilização de uma linguagem rebuscada, recheada de terminologias teológicas eram sinônimos de um bom sermão ou de um bom estudo. Some-se a isso o fato de que no Brasil, era essa a exata forma da cultura vigente. Assim, a igreja apenas absorveu essas mudanças culturais, como disse Tillich.

Apesar de essa forma de apresentar o estudo bíblico ter cumprido um papel importante em seu contexto, nos dias de hoje, pela renovação e reinterpretação da cultura, torna-se necessário a criação de novos paradigmas. Obviamente, o que se propõe aqui não é a anulação do caráter profético das escrituras, ou se preferir, exortativo. O que se revela necessário é a contextualização das informações afim que que estas promovam a melhor comunicação com as pessoas.

Durante muitos anos a igreja evangélica vem administrando o ensino bíblico no formato da escola bíblica dominical. Mas a pergunta que se deve fazer com muita responsabilidade no intuito de colher padrões mais eficazes de comunicação, é se esse formato continua sendo o melhor para os dias da pós-modernidade. O caráter do ensino, que se traduz no princípio deve ser imutável, as formas com as quais esse ensino acontece não precisa, bem como não deveria ser imutável. Os responsáveis pelo ensino deveriam buscar outras formas para que o ensino bíblico seja melhor comunicado e, por isso, provoque maior mudança na sociedade.

Sem a reinterpretação das mudanças culturais da sociedade, se produz a estagnação de um princípio fundamental da fé cristã, que é o ensino da bíblia. Perceba que essa afirmação está muito longe de ser considerada uma heresia, porque o seu alvo é a melhoria do ensino e não a sua anulação. As formulações e teorias da comunicação foram revistas pela maior parte da sociedade com novos padrões culturais, mas a igreja insiste em permanecer alheia a essas mudanças. Talvez seja exatamente por isso que o ensino bíblico tenha se tornado um sinal, quando deveria ser um símbolo.

sábado, 30 de julho de 2011

RAZÃO E ATEÍSMO

Certa vez, estava participando de uma aula onde o assunto central era a existência de Deus. Depois de um caloroso debate, uma das participantes tentou resolver o assunto dizendo que Deus existia, porque somente Ele poderia dar origem a vida. Obviamente, aquele argumento poderia ser refutado por diversas maneiras, aliás, essa discussão entre teístas e ateístas faz parte da humanidade já há algum tempo. Depois daquele dia, passei a pensar bem mais sobre esse tema.

Nessa discussão, os argumentos sempre são utilizados na medida da comprovação, da explicação, da lógica conclusiva. Depois que o homem inventou o método científico, a validação ou não de qualquer coisa só pode ser definida a partir desse método. Assim, se não existe um argumento que possa comprovar a existência de Deus pelo raciocínio ou pela ciência, Deus não existe. Mas, será que um argumento pode comprovar racionalmente a existência de Deus? E, se Deus puder ser provado pela razão humana, Ele seria realmente Deus?

Naquela sala de aula, o argumento utilizado a favor do teísmo foi atribuído ao fato de que o homem não pode produzir vida. Pode ser que, para alguns, este argumento seja suficiente para substituir, ou pelo menos para colocá-lo no mesmo patamar da fé. Contudo, temos que lembrar que há bem pouco tempo, pessoas eram condenadas a morrer na fogueira por dizerem que a terra girava ao redor do sol. Hoje, o homem já pisou na Lua, conseguiu produzir clones, fertilizou óvulos em laboratório e descobriu que a Terra gira em torno do Sol. E agora, Deus ainda existe? Como atribuir a existência de Deus com base em argumentos do raciocínio humano, se Deus poderia estar acima deles?

Paradoxalmente, sem o raciocínio o homem seria apenas um fantoche, uma marionete nas mãos de um ser superior, ou somente do destino. O pensamento então se torna mais uma das formas em que o homem pode encontrar a Deus. A despeito disso, quando a capacidade de pensar busca argumentos para, por si só, comprovar ou não a existência de Deus acaba se afastando desse objetivo e Deus não aparece. Esse paradoxo entre pensamento e Deus revela algo ainda mais surpreendente. Foi Ele quem nos dotou da capacidade de pensar. Se pensamos é por Ele e para que o encontremos.

Como um teísta, tenho que dar a mão a palmatória. Devo concordar com o fato de que, em algumas situações, a resposta mais natural a “deus” é o ateísmo, pela falta de um mínimo de razão, de pensamento ou de raciocínio. Quando a existência de Deus passa a ser vinculada à religiosidade, liturgias, teologias e muitos infortúnios teológicos, todos deveriam se considerar ateus. Por outro lado, quando descobrimos que Deus não pode ser medido, que Ele é relacional e que faz parte de tudo o que há, a resposta natural é o teísmo. Talvez por isso, muitos ateus famosos como Francis S. Collins (A linguagem de Deus) e Antony Flew (Um ateu garante: Deus existe), tenham se rendido ao teísmo.

Acreditar ou não em Deus não pode ser relacionado ao raciocínio de forma isolada. Na verdade, o raciocínio foi dado por Ele para que pudéssemos encontrá-lo. Contudo, o pensamento lógico deve ser conduzido para além dos limites da razão, onde somente a fé pode levar. Ali sim, todos podem encontrar Deus.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Essa tal felicidade...

Existem alguns conselhos que deveriam ser guardados no cofre mais seguro. Eles valem muito mais do que dólares,ouro e diamantes. Uma das tragédias da vida humana é não reconhecer esses conselhos quando eles aparecem. Geralmente, o que se vê são pessoas que prestam pouca atenção e acabam não reconhecendo quando eles surgem. Foi o que aconteceu numa ocasião onde encontrei o meu avô.

Após um período de férias, chegou o dia da despedida e ele me aconselhou: meu filho, seja feliz! Aquilo soou como uma daquelas frases feitas do tipo feliz natal, feliz aniversário e outras tantas. O meu modo automático da despedida e de suas frases típicas havia sido ligado e, por isso, não consegui enxergar naquele momento a verdadeira dimensão daquele conselho.Quem é feliz? A felicidade pode ser medida? Existe uma fórmula para se alcançar a felicidade?

Deixa a vida me levar... vida leva eu...

Esse é o conceito geral sobre a felicidade. Ser feliz é considerado um sentimento, um estado de espírito que vem quando e do jeito que a vida quer. Nesse sentido, somos todos marionetes no jogo da vida que insiste em nos colocar diante de situações que podem nos tornar mais ou menos felizes. Assim, quando temos um bom casamento, bons filhos, vida financeira estável, saúde, entre outras coisas, somos felizes. Mas tudo isso geralmente vem interpretado como uma casualidade do destino que a vida nos impõe. Será que toda a receita da felicidade deve ser atribuída ao acaso, ao destino, ou será que nós podemos contribuir para que a nossa felicidade seja alcançada?

O conselho do meu avô parece bem claro. Ser feliz é mais do que esperar o acaso. Apesar do acaso também poder interferir nesse processo, as nossas escolhas também podem determinar o quanto podemos ser felizes. Não posso tirar daqui o papel da casualidade da maioria das doenças ou acidentes, mas mesmo a casualidade pode ser minimizada com ações do presente.

Levar uma vida saudável com hábitos saudáveis elimina a possibilidade de se ter uma doença? Definitivamente não, mas diminui. Só quem fuma pode ter câncer de pulmão? Não, mas a estatística mostra a incidência muito maior de câncer em quem fuma.

Longe de querer apresentar uma fórmula para a felicidade, mas ser feliz pode ter muito mais relação com o buscar do que com o ser. Dentro dessa perspectiva, buscar a felicidade envolve ações e decisões. No fundo, o meu avô estava me dizendo: busque, construa a sua felicidade. Seja feliz!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Escolher ...


O texto de Atos 13 possui o primeiro sermão ou discurso de Paulo. Foi nesse momento, por ocasião de sua primeira viagem missionária ao lado de Barnabé, que Paulo falaria aos judeus da cidade de Antioquia da Psídia. Paulo iniciaria o seu discurso mostrando a história do povo de Israel, de como esse povo foi escolhido por Deus para sair do regime de escravidão egípcio, dos sinais e milagres realizados no deserto, de como esse povo foi inicialmente governado por juízes e depois por reis, enfatizando Saul, Davi e Salomão. Paulo então segue sua linha de raciocínio até demostrar que Deus havia feito a promessa de libertação definitiva de seu povo por alguém que viria da descendência de Davi. Ele mostra que Jesus era descendente de Davi e Nele a promessa havia se cumprido.
Depois de ouvir o discurso de Paulo e o seu raciocínio, pode-se observar a lógica histórica de seus argumentos. Além disso, pode ser somado a esse raciocínio histórico e genealógico, todas as circunstâncias envolvidas na própria vida de Cristo. Funde-se a esse raciocínio, todo um conjunto de milagres, discursos, sermões e finalmente naquilo que seria o marco para a mudança de endereço de Deus. Na morte e ressurreição de Cristo, Deus sairia de sua habitação fora do homem, e passaria a habitar dentro do homem. A promessa finalmente haveria de ser cumprida pelo envio do Espírito Santo, o chamado consolador.
Perceba como é muito fácil nos perdermos diante do que chamamos dia a dia, do cotidiano. Podemos passar anos e anos frequentando uma igreja, ouvindo lições importantes sobre os ensinamentos de Cristo, mas que na tomada de decisão, no momento da aplicação prática, muitos e muitos não conseguem enxergar o caminho. Mais desastroso do que esse aspecto é o fato de que mesmo quando o caminho é mostrado, ainda assim faz-se a opção por outro, tal qual o povo judeu que não reconheceu a pessoa de Cristo como o escolhido, mesmo após tantos sinais, tantas palavras, tanta lógica. Porque a maioria de nós não consegue enxergar o caminho? Porque muitos que conseguem enxergar o que fazer, tão frequentemente optam pela direção contrária? Porque no dia a dia temos enormes dificuldades para decidir fazer o que é correto?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Salvação

A salvação como base para a doutrina cristã jamais foi ou poderá ser esquecida. Contudo, devo concordar com Stott quando diz em sua obra (Entenda a Bíblia) que "nenhuma outra palavra bíblica tenha sofrido tanto a partir do mau uso e da compreensão equivocada do que é salvação". Sott conceitua a salvação como sendo liberdade e renovação; em última instância, a renovação do universo inteiro e que a salvação seria uma experiência moral.
A partir desses conceitos iniciei uma reflexão e passei a meditar sobre o tema da salvação. A principal pergunta que me veio a mente foi: Se a salvação for associada a uma experiência moral, de forma isolada, não corre-se o risco de anular a função exclusiva e imprescindível da pessoa de Cristo? Pode ser que encontremos pessoas não cristãs com propósitos morais bem definidos, sendo que inclusive ateus podem ser moralmente corretos. Portanto, parece que o conceito de salvação atrelado a um conceito de experiência moral pode não ser suficiente para se compreender a dimensão do que é a salvação em Cristo.
Imagine alguém que possui princípios morais muito bem estabelecidos. O perfil dessa pessoa é composto por valores como verdade, respeito ao próximo, fidelidade conjugal e inclua-se nesse perfil tudo aquilo o que julgamos ser moralmente correto. Essas qualidades seriam suficientes para que tal pessoa fosse considerada salva? Creio que não. Se isso fosse assim, mais uma vez a pessoa de Cristo nesse aspecto seria prescindível.
Pode ser que encontremos pessoas com testemunhos de mudança de vida (algo que se espera num cristão) muito frequentes como abandono de certas práticas que são moralmente incorretas. Mas pense na hipótese daquela pessoa que é moralmente correta. Qual foi a mudança em sua vida para que se declare salva? O aspecto moral dessa pessoa estaria irretocável. Assim, qual seria o testemunho de salvação, uma vez que o seu caráter, seus princípios morais eram retos diante de Deus? Nesse sentido, também cabe a pergunta: alguém que pratica os princípios cristãos pode ser considerado um cristão? 
A transformação ou experiência moral pode ser uma consequência natural da salvação em Cristo, mas não pode, por si só, definir a salvação a não ser que esteja inseparavelmente presa ao conceito de justificação. Parece-me impossível não associar a salvação com a justificação em Cristo. É somente pela justificação em Cristo que podemos ter acesso a salvação e esta, por consequência, nos levar a uma transformação moral.
Por isso, vejo ainda não como uma opinião totalmente formada, que a principal característica da salvação não pode ser a mudança exclusivamente moral. Esse mudança de forma isolada exclui a justificação em Cristo. Contudo, me parece que o sinal irrevogável da salvação seja a consciência do pecado. Muito mais do que uma consciência moral de pecado, mas de uma consciência que leva irresistivelmente ao arrependimento e à certeza de que sem Cristo se está separado de Deus e que somente Ele (Cristo) pode restaurar essa condição. Portanto, podemos encontrar pessoas boas, mas que sem a consciência da separação de Deus pelo pecado, que somente pode ser restaurada em Cristo e pela fé, ainda continuam sem salvação. A salvação então pode ser o reflexo da fé em reconhecer que somente Cristo pode nos aproximar novamente de Deus. Com isso, a experiência moral como mudança de vida torna a prática de princípios cristãos numa consciência racional de vida cristã em Jesus Cristo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Discussão

Acho que todo mundo conhece o velho ditado: "Futebol e Religião não se discute". Durante algum tempo passei a refletir se isso, de fato, era verdadeiro ou não. No início da construção de uma linha de pensamento, observei que o sentido da palavra discussão tornou-se sinônimo de briga, falar mais alto, entre outras coisas. Mas o que de fato seria uma discussão?
Quando se faz referência ao velho ditado, observa-se também aquilo que de modo bem casual ficou conhecido como sabedoria popular. Não que eu concorde com todo o acervo de tal sabedoria, mas me parece que em certo aspecto, existe algum fundamento. Veja que nesse mundo pós-moderno pouco se dá valor à construção de um conceito. Essa construção pode ser desenvolvida a partir de uma série de ferramentas como leitura, entrevistas, letras musicais e também por uma boa discussão. Aqui a discussão surge quando se quer firmar um conceito, quando se quer refletir para acreditar em alguma coisa. Quando o conceito já está firmado, não cabe qualquer discussão. Talvez seja exatamente por isso que o termo passou a refletir uma condição de confusão.
Pode ser que isso nos pegue de surpresa, mas as diferenças de conceitos não podem fazer parte de qualquer discussão, a não ser que tal conceito esteja susceptível a revisões. Nesse sentido, rever conceitos pode ser extremamente valioso. Assim, me parece óbvio concluir que tudo merece discussão, desde que se esteja aberto a revisões conceituais maduras. A história mostra o quanto isso é importante. Muitas pessoas foram condenadas na história da humanidade porque alguns conceitos, que eram tidos como verdades absolutas, foram revistos por muitas pessoas, essas tais que sofreram as duras consequências da revisão conceitual. O fato é que depois de alguns anos, os conceitos mudaram seja por provas científicas, seja por provas filosóficas.
Se futebol e religião não se discute é porque os conceitos já estão formados. Mas a verdade é que um conceito só pode subsistir se ele passar constantemente pelas provas das revisões. Um conceito formado só pode ser respeitado se ele conseguir resistir a uma boa discussão. Obviamente que alguns valores como a fé por exemplo, limitam essa discussão. Contudo, alguém que defende um conceito jamais poderia ter medo de participar de uma discussão, porque dela surge o conceito melhorado, lapidado e cada vez mais consolidado, ou não.
Diante disso, fica a pergunta: até quando vale a pena torcer pelo Palmeiras e até quando vale a pena ser cristão? Se os conceitos puderem resistir as revisões conceituais valerá a pena. Quanto a torcer pelo Palmeiras não estou certo, mas quanto a ser cristão... que venham as discussões para o meu principal valor ser fortalecido.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Distância...
































Definitivamente a distância é cruel. Há quem diga de relacionamentos de amizade ou de amor que perduraram por muitos anos mesmo com a distância. Mas quando realmente estamos distantes? A distância medida em metros, kilômetros, milhas e etc significa que estamos realmente separados ou não? E se isso for assim, o que realmente nos torna distantes uns dos outros?

Você já observou como reagimos de modos diferentes com notícias igualmente diferentes? De tempos em tempos o mundo se choca com os desastres ambientais. São furacões, terremotos, invernos rigorosos que incluíram na casa dos milhões mortos, feridos e desabrigados. Sinceramente, como você reagiu à notícia do terremoto que atingiu o Haiti? Pode ser que muitos tenham ficado tristes, mas como você estava no outro dia? Continuava se importando com o que aconteceu? Essa distância...

O Brasil é um país distante do Haiti, mas como você reagiu à enchente na região Sul do país? E no outro dia? Continuou a vida? Como você reage frente a tantas pessoas que passam fome, frio, sofrem discriminação na sua cidade? E na sua rua, no seu trabalho? Quantas são as pessoas com as quais convivemos diariamente e que não recebem a atenção mínima de um bom dia, boa tarde, de um simples sorriso? Distância...

A verdade é que quando existe o amor de Coríntios as distâncias não existem. Não existem kilômetros que possam separá-lo. Ao contrário, quando o tal amor não nos alcança, poucos milímetros podem causar uma infinita e eterna distância. O reflexo disso? A inércia, a passividade, simplesmente ver as coisas acontecerem e não fazer coisa alguma.

O mundo precisa melhorar e para isso seria muito bom encontrar o amor de Coríntios.